segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A solidão dos números primos

Eis que um dia eu tava falando com o @paulololol por msn, e comecei a conjeturar sobre os números primos, sobre como eles são sozinhos, sobre como eles são tão eu. Daí a conversa virou aquela zona de gente doida, pois classificamos os números de acordo com o seu grau de solidão e promiscuidade, e claro, os primos "somos nózes"...

(pra vocês podem não fazer sentido assim no começo, mas é que eu sou de exatas gente, me entendam haha).

Daí que uns dias depois, ou eu ou ele achamos um livro chamado justamente "A solidão dos números primos" e eu achei fantástica essa coisa de existir um livro que explanasse a minha teoria (eu pensava isso antes do livro, juro, @paulololol é testemunha), daí fiquei querendo esse livro e nunca comprei, passou, esqueci..

Daí que ontem a lindosa @a_sarita comentou que estava lendo esse livro, e depois de eu praticamente colocar uma arma na cabeça dela, ela me enviou esse trecho que fala da teoria dos números primos....e é lindo, lindo, e é tão eu.

Daí eu queria compartilhar, tenho certeza que mais gente vai se identificar.

Os números primos são divisíveis por um e por si mesmos. Estão em seus lugares na série infinita dos números naturais, comprimidos entre dois, como todos, mas um passo adiante em relação aos outros. São números suspeitos e solitários, e por isso Mattia os achava maravilhosos. Algumas vezes pensava que naquela sequencia houvesse finitos, que, por engano, tivesse ficado presos, como pequeninas pérolas enfiadas num colar. Outras vezes, no entanto, suspeitava que eles também gostariam de ser como todos, apenas números quaisquer, mas que, por algum motivo, não tinha sido capazes. Este segundo pensamento lhe ocorria sobretudo à noite, no emaranhado caótico de imagens que precede o sono, quando a mente está demasiado debilitada para contar mentiras a si mesma.

Em um curso do primeiro ano, Mattia tinha estudado que entre os números primos existem alguns ainda mais especiais. Os matemáticos os chama de primos gêmeos: são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase próximos, porque entre ele s sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente. Números como o 11 e o 13, como o 17 e o 19, o 41 e o 43. Com paciência para continuar contando, descobre-se que esses casais logo rareiam. Encontram-se números primos cada vez mais isolados, perdidos naquele espaço silencioso e cadenciado, feito apenas de cifras, e se tem o pressentimento angustiante de que os casais encontrados até ali sejam um fato acidental, que o verdadeiro destino seja mesmo permanecer sozinhos. Então, justamente quando se está presetes a desistir, quando já não se tem vontade de contar, eis que se esbarra em outros dois gêmeos, agarrados um ao outro. É convicção comum entre os matemáticos que, até onde se possa avançar, sempre haverá outros dois, mesmo que ninguém seja capaz de dizer onde, até que sejam descobertos.

Mattia achava que ele e Alice eram assim, dois primos gêmeos sós e perdidos, próximos mas não o bastante para se tocar de verdade. Ele nunca dissera isso a ela. Quando imaginava confessar-lhe essas coisas, a sutil camada de suor das suas mãos evaporava completamente, e durante longos dez minutos não era mais capaz de tocar nenhum objeto.


(EM A solidão dos números primos)

** seca a lagriminha

**** Obrigada Sarita!!

4 comentários:

Ghiza Rocha disse...

Nossa... muito real. Isso explica o sofrimento da maioria das pessoas na sociedade atual.. Incluindo nós, os priminhos do sanatório... Sou mais uma a querer o livro!

Júuh . disse...

'Então, justamente quando se está presetes a desistir, quando já não se tem vontade de contar, eis que se esbarra em outros dois gêmeos, agarrados um ao outro.'

muito lindo esse texto.
te seguindo baby! =*

.Intense. disse...

'Outras vezes, no entanto, suspeitava que eles também gostariam de ser como todos, apenas números quaisquer, mas que, por algum motivo, não tinha sido capazes. Este segundo pensamento lhe ocorria sobretudo à noite, no emaranhado caótico de imagens que precede o sono, quando a mente está demasiado debilitada para contar mentiras a si mesma.'

me senti um número primo. e achei seu post o máximo. além da lagriminha, deu um nó na garganta. eu tou número-primo hoje e nem sei comentar.
:/
:*

Anamyself disse...

Liiindo!
Clap, clap, clap!

Quero ler.